agosto
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Talento, humor de primeira, futebol e espiritualidade como devem ser. Esta é uma breve definição para o programa de humor esportivo Na Geral, apresentado pelo trio Beto Hora, Lélio Teixeira e José Paulo da Glória, de segunda a sexta, das 18h às 20h na rádio Bandeirantes, em São Paulo.
Durante as manhãs, o dial do rádio no carro sempre teve uma frequência fixa: CBN (90.5 Mhz), com o sempre ótimo Heródoto Barbeiro e uma grande equipe de repórteres e colunistas. Agora, para a terrível hora do rush, que a cada ano parece ser mais imprecisa – e, em breve, desaparecerá em meio à loucura do caótico trânsito de São Paulo -, eu costumava ouvir Bossa Nova para acalmar minha atribulada mente. Foi quando descobri a Rádio Sulamérica Trânsito, que forneceria alternativas para que meu caminho de volta ao descanso diário fosse mais tranquilo. Apesar das ótimas dicas fornecidas pela equipe da rádio e também por outros motoristas na cidade, em poucos meses descobri que não havia tantas alternativas disponíveis para mim, ou seja, teria de me acostumar a enfrentar o eixo norte-sul (23 de maio, Rubem Berta, Moreira Guimarães e Washington Luís) e o trajeto Centro-Butantã da maneira mais branda possível.
Certo dia, trocando de rádio, passei pela Bandeirantes e ouvi a voz de uma senhora engraçada, simples e até um pouco rude. Em princípio achei que se tratava de alguma ouvinte conversando com os protagonistas de algum programa esportivo mas, em pouco tempo, descobri que a tal da senhora era a Dona Inês, uma das personagens do programa e, impressionantemente, uma das faces (ou vozes) de Beto Hora.
Admiração à primeira vista e cadeira cativa reservada. Diariamente passei a perceber que o público ouvinte do Na Geral era formado por crianças, mulheres solteiras e casadas, avôs e avós e, por último, homens que estão no trânsito e gostam de futebol. Isso mesmo, a qualidade do trio do programa (e da equipe responsável) foi capaz de fazer do futebol um assunto agradável de se ouvir ao fim de um dia útil por aqueles fora do padrão visto na sociedade brasileira (amigos e colegas de trabalho que “se zoam” em uma quinta ou segunda-feira após as rodadas dos campeonatos). Percebo que assim como donas de casa assistem aos programas da tarde para saber das novidades das novelas, do horóscopo ou pegar uma receita nova para preparar para a família no fim de semana, elas também gostam de dar risada enquanto acompanham o futebol.
Eu mesmo, que a cada dia fico mais desgostoso com o futebol no Brasil por sentir que não mais existe a paixão no esporte e também por saber da forma como ele é tratado atualmente por jogadores, dirigentes e investidores, consigo deixar essa revolta de lado para rir um pouco das brigas entre o Zé Paulo (corinthiano roxo) e o Charuto (um fanático – e naftalinado – torcedor do ‘Parmera’), o carinho com que Lélio Teixeira trata os ouvintes, sempre terminando os programas com um sincero e confortante “fiquem com Deus!”, sem falar em todas as personagens interpretadas pelo Beto Hora, como a Dona Inês, Seu Geraldo, Vila, Professor Sérgio, Cláudio Zaidan, Milton Neves, Cid Moreira, Francisco Cuoco, Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Padre Quevedo e outras dezenas de interpretações que fazem chorar de rir. Lógico que, sempre, com muita informação sobre a rodada do futebol e excelente cobertura da equipe de jornalismo da Band, que conta com os muito capazes Antônio Petrin, Claudio Zaidan, Alex Miller, Leandro Quesada e outros.
Minha única ressalva vai para a quantidade excessiva de merchans durante o programa. Para mim, o intervalo já é tempo mais do que suficiente para veicular as propagandas de todos os parceiros e patrocinadores. Mesmo assim, durante as ligações com ouvintes ou informações sobre os times, há interrupção para falar da empresa A, do parceiro B ou do patrocinador C. Anyway, dos males o menor. Para mim, compromete um pouco a credibilidade, mas, ao menos, até nessa hora utilizam o humor de forma magnífica e também parecem selecionar bons provedores de produtos ou serviços e não apenas aquele que pagar o preço cobrado. Difícil depois é tirar da cabeça os jingles “Fez de alvenaria esta caixa de gordura…”, “Entrei pelo cano, só resta lamentar..” e o clássico “Vem, vamos bater um papo, não vou te encher o saco, vamos falar de amor” (risos)
Aproveitando que falei sobre meu desgosto com o futebol atual, sugiro que mais pessoas atentem à informação produzida por jornalistas sérios, geralmente independentes, que prezam pela informação imparcial e investigativa, que denunciam a farra vista no mundo do futebol, que envolve sujeira, manipulação, muita corrupção, grampos, ameaças e perseguições e coisas que nem sequer imaginamos. Acompanhe o ótimo trabalho de Jorge Kajuru, Paulinho e Juca Kfouri.
Pra finalizar, como o assunto do post é humor de qualidade, anotem esta dica muito importante para antes de sair do trabalho e escutar o Na Geral: não vá para o carro apertado porque, como diz o Marco Luque, o programa é de “se mijá de rir”.

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junho
Análise: TV Digital Portátil AOC TPD-100
Não, não ganhei um de presente da AOC para fazer seu review, mas bem que poderia ser o caso, afinal, cavalo dado… Apesar de gostar e trabalhar com tecnologia, não sou tão famoso como a competente Garota sem fio e também não me considero um aficcionado por apetrechos tecnológicos. Mas este aparelho me impressionou a ponto de querer escrever um pouco sobre minhas percepções a seu respeito e, quem sabe, ser útil para alguém que esteja procurando alguma opinião sobre televisores portáteis que captem sinal digital para o único grande objetivo desta época de 2010: A Copa do Mundo.
Há algumas semanas recebi a tabela com os horários de todos os jogos da Copa. Logo em seguida soube que Globo e a Band transmitirão quase todos eles ao vivo. Descobri também que boa parte dos jogos das seleções será no meio do dia (11h ou 15h30), ou seja, seria impossível estar sentado no sofá comendo pipoca. Logo, eu precisava arranjar uma forma de assistir aos jogos. Sim, o futebol é uma das grandes paixões de minha vida, e deixar de assistir a todos os jogos do grande evento do futebol mundial é uma opção fora de cogitação.
Pesquisei por USB TV 1Seg, USB TV Fullseg, GPS com TV Digital e acabei optando pela TV portátil TPD-100, da AOC , afinal, as duas primeiras opções me exigiriam um computador para funcionar e, mesmo que fosse um netbook, já seria peso a mais para carregar. Procurei algumas opiniões na Internet e não encontrei. Apenas um simples e eficiente review pelo pelo pessoal da PCWorld. Dei um passeio pelo Boulevard Monti Mare e lá encontrei alguns modelos Xing Ling na faixa de R$240-R$280. Mas, ao segurá-los, algo me dizia que não durariam mais do que treze minutos em minhas mãos (risos).
Em buscas pelo Google encontrei este modelo, feito por uma marca famosa e a um preço acessível. Comprei-o no site Compra Fácil após conseguir um desconto pela utilização de uma bandeira de cartão específica. Eles prometeram que seria entregue em três dias e, três dias depois, chegou o produto em casa. Ponto para o Compra Fácil.
Unboxing
Ao abrir a caixa, impressionei-me com o tamanho e a espessura do televisor. Ele é realmente extremamente fino (1,1cm) e possui um tamanho perfeito para ser chamado de portátil. Ele vem com uma antena escondida em seu interior e basta puxá-la para ampliar a recepção do sinal. Lateral esquerda lisa, apenas com o texto “1SEG PORTABLE TV”. Em sua lateral direita, entrada para o carregador, fone de ouvido e botão liga-desliga. No topo, botão menu e botões de volume e canal. Além do próprio aparelho, a caixa traz fone de ouvido, carregador/adaptador AC, alça de transporte e manual de utilização.
Tela

Sua tela de LCD com 3,5 polegadas também é ideal para a exibição de vídeo em formato 320×240. Pausa: o primeiro tempo de França vs Uruguai acabou de acabar (sim, estou assistindo à Copa nesta TV neste momento). A tela também possui um brilho interessante e pode ser vista normalmente em ambientes internos com qualquer tipo de iluminação. Em ambientes externos a visualização fica um pouco complicada devido à alta reflexividade da tela. Em uma caminhada pela represa do Guarapiranga tirei esta foto para mostrar como fica.
Adaptador AC
O aparelho vem com uma bateria interna (e não removível) que dura cerca de quatro horas. Em testes realizados pela PC World, ela durou três horas e meia. O adaptador (5V) funciona em redes elétricas de 100 a 240V. Algo bem pensado para viagens.
Alça de transporte
A alça, que serve para assegurar o vaivém da televisão, também é multitarefa. Ela vem com uma parte plástica que pode ser encaixada na parte traseira do aparelho e, desta forma, permitir que a TV fique inclinada sobre alguma superfície, com um ângulo de visão bem interessante.
Funções
Logo ao ligar o aparelho, inicia-se uma busca automática por canais. Na região da Avenida Paulista, em São Paulo, foram encontrados onze canais (Cultura, SBT, Globo, Record, Rede TV, Gazeta, Band, Mega TV, Rede Vida, NGT e TV Justiça). Todos, sem exceção, com excelente qualidade de recepção de áudio e vídeo. Podem ser selecionados os idiomas português, inglês e espanhol para a exibição das interfaces. Há listagem da grade de programação de cada canal e também podem ser habilitados os recursos de closed-caption e SAP.
Fone de ouvido
Por algum motivo desconhecido, a AOC optou por construir o dispositivo com entrada P1 ao invés da P2, comum a 99,9% dos eletrônicos que possuem saída para fones de ouvido. Logo, para utilizar aquele seu fone com mais qualidade ou mesmo o branquinho do seu iPod, você terá de comprar um conversor em alguma loja especializada ou no Mercado Livre. A qualidade do som é mediana, ou seja, não chega a comprometer. Vale lembrar que a tevê também possui um alto-falante na parte traseira. Este, sim, é mono e produz um som de baixa qualidade. Então, utilize o fone de ouvido.
Avaliação final
Estou muito satisfeito com esta TV. Para quem já viu as antigas portáteis analógicas (típicas de Kombi e banquinhas de jogo do bicho) e teve de brigar com a posição da antena ou até apelar para o Bombril para achar uma imagem boa, a tecnologia digital é um grande avanço mesmo. É óbvio que pode notar-se uma leve perda em imagens com movimento rápido, mas isto se deve à compressão feita durante a transmissão e não chega a comprometer. Não cheguei a assistir a um jogo de tênis em saibro para ver se a bola some, mas, pelo menos nestes África do Sul vs México e França vs Uruguai, a Jabulani ficou bem visível.
Prós
- Tamanho
- Portabilidade
Contras
- Não vem com capa/case de proteção.
- Plástico que protege a tela já veio cheio de riscos. Tive de removê-lo assim que chegou.
Especificações
| Tipo de transmissão | ISDTV (1-seg) |
| Recepção de canais | UHF 14 ~ 69 ch |
| Codec vídeo | H.264 (MPEG-4 / AVC) |
| Display | 3,5″ TFT-LCD – 320×240 |
| Diagonal visual aproximada | 8,7cm |
| Taxa de quadros | 5, 10, 12,24 e 30 fps |
| Resoluções | 320×180, 320×240, 160×120, 160×90 |
| Codec de áudio | MPEG4 AAC+@L2 |
| Alto-falante interno | mono (500mW) |
| Alimentação de entrada | DC 5V |
| Bateria | 1080Ah/Lítio-polímero |
| Peso | 87g |
| Dimensões (mm) | L 96 x A 73 x P 11 |
| Recarga da bateria | até 3,5 horas (com fones de ouvido) |
| Duração da bateria | de 3 a 4 horas |
dezembro
Por que não sou adventista?
Olha, essa é uma pergunta cuja resposta pensei que nunca precisaria explicar declarativamente afinal, o meu conceito de liberdade me permite – e também qualquer ser humano – crer, corroborar ou filiar-me a qualquer – ou nenhum – movimento religioso que desejar. Eu escolhi ficar com o “nenhum” pois fatos, leituras, vivências e decisões me mostraram que não preciso estar preso a nenhuma instituição para estar perto ou longe de Deus (por mais óbvio que esta afirmação seja). E algumas destas vivências me mostraram que ficar dentro de uma instituição pode até ser perigoso pela possível existência de uma sensação enganosa de que está tudo bem, quando, muitas vezes, pode não estar. Afinal, quem é imune à acomodação inerente a um banhinho nem muito quente nem muito frio… assim, bem morninho?
Leia-o somente se sentir-se interessado por este assunto, afinal, eu mesmo o acho maçante e desnecessário. Quer um resumo do que penso? Leia somente as quatro frases escritas em negrito neste texto. É como se você estivesse lendo cinco tweets meus. Porém, my duty calls e logo abaixo explico alguns porquês de ter de escrevê-lo.
Sinto até um certo desconforto em ter de falar sobre o assunto pois tenho uma grande relação com a palavra “adventismo”. Estudei por treze anos em uma escola adventista e só tenho a agradecer pelos ensinamentos cristãos fornecidos por excelentes professores em um ambiente muito agradável. Graças à escola adventista eu conheci o Mupy (risos), fiz os gols mais bonitos da minha vida (também, a distância entre os dois gols da quadra era de uns 35 centímetros), tive as melhores caminhadas matinais de minha vida (agarrado ao braço de minha adorada mãe no caminho casa-escola-casa) e os papos mais legais que uma criança pode ter com seu pai ao contar as travessuras do dia. Conheci e vivo sendo apresentado a obras de arte de música cristã repletas de profundidade em letras e melodias. Fiz grandes amigos, adventistas ou não, durante esse período que é quase a metade de minha vida. Amigos que passaram e muitos outros que são até hoje grandes e melhores amigos, infinitamente mais que irmãos.
Felizmente sempre houve muito respeito e amor por parte destes amigos e, por estes serem sempre cultivados, as amizades só crescem e frutificam. “Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.” (Rom. 14:22). Então é simples assim. Não vou ficar torrando a paciência de ninguém por causa de algo que ele faça e eu não, que ele acredite e eu não. Se uma pessoa com a consciência cristã não se condena pelo que faz, quem sou eu para arranjar contenda com ele? Aliás, recomendo a leitura deste capítulo inteiro da carta de Paulo aos Romanos (se ler o livro inteiro, ainda melhor). Dica número um: respeite. Porém não com um respeito maquiado. Respeito é respeito e ponto final. Não existe “mas” e nem dupla interpretação.
Já faz tantos anos que decidi que nunca mais discutiria esse tipo de assunto com ninguém e sinto-me como se estivesse naqueles tempos em que eu era religioso e ficava debatendo doutrinas com os colegas de escola. Com o perdão da palavra, puta chatice! Entretanto, devo seguir em frente por alguns simples motivos:
a) Às vezes sinto que algumas pessoas tentam “achar uma brecha” para pegar no meu queixo, levantar minha cabeça, abrir a minha boca e derramar um gole de doutrina, assim como as mães fazem com os filhos que não querem tomar um novalgina em gotas (eca!), então, creio que, com este texto, quando isso acontecer, posso dizer: “acesse meu blog e evitamos perder nosso tempo.”. E c’est fini!
b) Àquelas pessoas queridas não-adventistas que observaram alguns fatos de minha vida e ficaram em dúvida sobre meu destino físico, religioso e até espiritual, gostaria de lhes dar um update, afinal, tem gente que deve achar que virei ateu pelo simples fato de ter sumido (risos) ou então um pastor adventista por ter realizado meu casamento dentro de um templo desta denominação.
c) Aos mais-que-queridos que são adventistas e ficam tristes por saber que eu não sou e também não sigo os estatutos da igreja, gostaria de deixar isso registrado e evitar alguns assuntos indesejados. Tenho para mim a regra de que um coração contrito não contrista e muito menos atrita com o irmão. Meu único objetivo é escrever sobre o que penso e não gerar motivos para iniciar uma sucessão de réplicas e tréplicas de argumentações. Não vou, em nenhum momento, defender o que creio ou debater quaisquer assuntos que envolvam religião. Não por aqui. Por isso, apesar de ler, não responderei ou publicarei comentários neste post. Se assim o fizesse estaria me contradizendo e permitindo que o assunto se transformasse em motivo de tropeço ou escândalo.
Portanto, chega de introdução. Como disse lá no começo, não leia este texto se sentir que não possui relação com o tema.
Eu vivo sob uma nova jurisdição.
Para mim a lei conforme definida pelo adventismo (os dez mandamentos das tábuas de pedra), para a qual considero a adição de todas as outras dezenas de leis enumeradas no pentateuco, foi cravada na cruz. Simples assim. Ou seja, vivo sob uma nova jurisdição, pós crucificação-ressurreição. É a tal da ordem de Melquisedeque, que me permite afirmar que existe uma mudança total de vigência levítica (Hebreus 7). E, nesta nova jurisdição – ou, novo mandamento, como preferir -, a lei que vale é outra. “Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.”. (João 13:34). Se ouço “mas Jesus veio para cumprir a lei!”, digo “sim, ele, somente ele, a cumpriu para nos livrar desta maldição”. Pois eu creio que a letra mata (2 Coríntios 3:6), que se vivesse pela lei eu seria culpado em todas as instâncias a todo momento (Tiago 2:10) e que Jesus Cristo se fez maldição por amor de todos nós, imerecedores (Gálatas 3:13). Também posso ouvir: “Mas o próprio Jesus disse: ‘Se me amais, guardai os meus mandamentos.’ (João 14:15). A esta indagação, respondo: “Sim, para mim esta é uma verdade absoluta! Mas como a frase foi dita por Jesus, ele mesmo deve ter a resposta. Então, ao invés de voltar ao Êxodo, à lei, para buscar a resposta, prefiro virar uma página na minha bíblia e ler João 15:12: ‘O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.’ “.
Para não me delongar demais, recomendo a leitura deste texto, bem didático, sobre esta nova jurisdição.
Não, não acredito que santificar o sábado importa em salvação eterna.
Não acredito e também não discuto esta afirmação e também em nenhuma outra que envolva doutrinas, como decreto dominicial, espírito de profecia atribuído a EW, sacrifício incompleto etc. Tenho esta opção e a escolhi. Somente acredito no puro e simples Evangelho. Tem gente (já ouvi muito isso) que pensa que uma pessoa que possui o conhecimento da lei e não a cumpre (especialmente o quarto mandamento) de birra, está condenado à perdição… Pra mim isso é um absurdo dos grandes mas, se a pessoa pensa assim, tudo bem. Eu a respeito.
Está consumado. Não há barganhas a serem feitas.
O “está consumado” dito por Jesus possui significado literal para mim. Significa que ali houve o cumprimento total do plano da salvação humana. Logo, ele encontra-se sentado à destra do Pai, sem fazer qualquer juízo investigativo. Não vou anular este sacrifício. Como resistir a alguém que possui algumas alcunhas como “o Pai de misericórdias” e “Deus de toda consolação” (2 Coríntios 2:3)? E este mesmo alguém é quem diz: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.” (Apocalipse 3:19). Isto significa para mim que ele, sim, guarda e admoesta os seus. Significa que ele se importa com o relacionameto vertical entre ele e seus filhos. Significa que existe um processo de santificação, degrau por degrau, que leva um menino espiritual, que se alimenta apenas de leite, a tornar-se um homem, que se nutre do alimento sólido (Hebreus 5:12-14).
A Graça é de graça. Sou redundante demais e não consigo pensar diferente.
Nesta nova jurisdicação na qual me coloco existe uma nova lei que deve ser cumprida sob pena de perda de salvação, certo? Errado. Descobri que não adianta qual lei seja, eu não consigo cumpri-la. Como na música “E se”, do Stênio Marcius, eu queria demais amar a todos incondicionalmente mas, por mais que eu tente, eu não consigo. E não é por isso que vou deixar de tentar. Enfim, se a velha lei eu não conseguiria cumprir, muito menos a nova. Logo, confesso-me culpado. Eis então quando insiro o novo peso: a Graça de Deus. Independe do que eu deseje e/ou queira. Como vou renunciar pensar assim se o Cordeiro foi morto antes da fundação do mundo (Apocalipse 13:8) e cujo pai também me escolheu antes da fundação do mundo (Efésios 1:4)? Simplesmente não dá.
Não me encaixo em estruturas religiosas.
Cansei-me de ouvir histórias, ler sobre acontecimentos e caminhar sob decretos feitos por homens e tradições muitas vezes seguidas automaticamente, sem respostas aos porquês que vinham à minha mente. Cansei-me de ver julgamentos de conselhos de igrejas que serviam somente para afastar pessoas e não para admoestar e resgatar (Cadê o perdão?). Cansei-me de ter a sensação que o assunto sempre era introdutório, periférico, sem nunca chegar ao cerne da questão. O papo era na maioria das vezes religioso e raramente espiritual. Leis, regras, estatutos, doutrinas e dogmas apresentados por pessoas que utilizavam a combinação palco-microfone para derramar “vasos de normas”. Cada lugar com seu script, mas geralmente era a regrinha básica: música, oração, dízimo e ofertas, mensagem, música, recados e bye bye, see ya!.
Conheci pessoalmente todo tipo de culto evangélico. Visitei os anglicanos, batistas e presbiterianos, recheados de um português impecável, para os quais o ideal era levar em uma mão a bíblia e na outra o dicionário, alguns bons e impactantes, outros em que preferiria estar dormindo ou assistindo ao PEGN, visitei os cultos adventistas, repletos de mensagens apocalípticas e inquisidoras mas que, ao final, passavam aquela segurança de “estar no local certo”, regados a uma linda melodia e canção, fui a cultos noturnos na Renascer em Cristo e presenciei muito “oba-oba apostólico”, fui a shows gospel ver bagunça e gritaria da meninada enlouquecida, fui a lúgubres missas católicas romanas, bati ponto na Assembleia de Deus do Bom Retiro às quintas para ver o “mermão” Silas Malafaia se apresentar e falar uma mensagem renegando tudo que havia dito sete dias antes e depois sair rodeado de seguranças, assisti a cultos da Neuza Itioka e seus súditos com aquele papo chato de maldição hereditária, fui ao Tio Cássio e à Bola de Neve, lugares nos quais sempre houve um cara que impôs mãos sobre mim gritando no meu ouvido me mandando falar em línguas de qualquer jeito (sem sucesso) e, pra fechar, cheguei até a andar por uns 200 metros (ou duas horas) na Marcha para Jesus, quando apenas olhei para o pessoal que estava comigo e disse: fui!
Pois é, já vi muito e, confesso, cansei. Em muitos dos lugares citados acima tive experiências bem legais e conheci muita gente boa de Deus. Mesmo inconscientemente, examinei de tudo e retive o que era bom (1 Tess 5:21). Sempre tive a sensação de que o Evangelho não poderia ser tudo aquilo. A sensação era de que eu era uma folhinha de árvore bem verde sendo levada de um lado para o outro pelos ventos de doutrinas.
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Aí alguns religiosos chegam e dizem: “ele está brigado, revoltado com a igreja e/ou com os homens. Vamos orar que um dia ele volta” ou, pra piorar, “um dia ele se converte”. Não, não ore por mim se este for seu objetivo. Ore por mim para que eu ande nos caminhos do Senhor, para que eu ame mais, para que eu seja mais doador, menos imediatista, mais calmo, menos ansioso, com mais domínio próprio. Ore para que eu frutifique (Efésios 5). Mas, por favor, não ore para que eu me filie e algum grupo religioso ou para que eu seja um representante da sua igreja. Não ore para que eu me sinta como anulador da cruz de Cristo. Isso eu não quero.
A Deus eu digo: Senhor, a sua graça me basta. Obrigado por me aceitar do jeito que sou e do jeito que estou.
Não, eu não acredito que quem não cumpre a Lei e acredita somente na Graça tem a desculpa para viver no oba-oba.
“Não ter de cumprir a lei é fácil…” Como já disse anteriormente, para mim a lei foi cravada na cruz e foi sombra das coisas que haveriam de vir, e vieram com a vinda, morte e ressurreição do Cordeiro. Acredito na Graça, uma graça arrebatadora cujo entendimento é impossível ao homem natural (1 Coríntios 2:14-16), mas uma graça que automaticamente implica em mudança de rumos, em conversões diárias e em frutos. Sempre que toco neste assunto com minha esposa utilizo analogias bobas e até infantis, mas creio que são suficientes para explicar minha visão sobre o que realmente significa viver pela graça, diferentemente do que muitos pensam, que é acreditar que Deus morreu por mim e eu não preciso fazer mais nada. Em primeiro lugar, em minha opinião, se uma pessoa possui esta visão, ainda está longe de saber o significado de Graça.
Mas, vamos à analogia.
Assim como é natural ao cachorro latir, ao gato miar e ao pássaro cantar, é natural àquele que reconhece ser um destinatário de uma Graça imerecida amar e compartilhar. O lindo cachorrinho vai, às vezes, fazer cocô no lugar errado, o gatinho vai estragar um sofá novo e o pássaro pode bicar e machucar o dedo de seu dono. O homem espiritual também vai falhar e deixar de amar, deixar de compartilhar, enfim, deixar de fazer o que é o ideal. O objetivo é buscar o alvo. Posso descer um ou dois degraus hoje, mas amanhã luto para subir outros. Posso conseguir ou não. Não tem problemas, não há barganhas a serem feitas. A vida é uma luta constante e Jesus já me disse que não seria nada fácil (muito pelo contrário). Ele apenas me alertou a ter bom ânimo (João 16:33).
Creio que serei cobrado quanto ao cumprimento dos mandamentos desta nova aliança firmada entre Deus e o homem (Mateus 22:35-37, Marcos 12:30-31). É simples de entender esta mensagem e até seu processo de julgamento é explicado por Jesus em outros momentos, dentre os quais destaco Mateus 25:33-46. Não precisa abrir a Bíblia, eu mostro: “E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.”.
Em nenhum momento sinto o Rei me perguntando se eu bati ponto semanalmente em um local específico, se eu me batizei por aspersão ou por imersão, se eu contribuí com dinheiro para alguma instituição, se eu comi ou deixei de comer algo ou se eu trabalhei ou não em um dia. Aliás, por falar em dia, sabe qual é o Dia do Senhor pra mim? O domingo? Não. A terça-feira? Errou. Também desisti há muito tempo de fazer embarcar nestas vãs discussões protestantes nos quais uns citam o Êxodo e outros o Apocalipse para defender suas teses. Não sou judeu e também não sou protestante. Não falo grego ou latim. Para mim o Dia do Senhor é o dia chamado hoje. Logo, alguns tipos de assuntos que para o adventismo são questão de salvação ou perdição, para mim é coisa secundária, como Paulo diz em Romanos 14:5 e 6. Creio que, at the end of the day, a pergunta de Jesus será a mesma que ele fez a Pedro após o mascote do Atlético Mineiro dar o ar da graça, com a diferença de que a pergunta será no pretérito: você me amou?
A Graça é de graça mas não é barata. O preço pago por ela é imensurável. Daí vejo como alguns dos principais temas abordados no novo testamento são a admoestação, o perdão e o altruísmo como exercício desta graça que recebemos imerecidamente antes da fundação do mundo. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Efésios 2:8). Desta forma, recorro aos conselhos e alertas de Paulo, de Tiago, Judas, João e tantos outros que sempre insistiram neste tema. A sensação que tenho é a de que eles gritavam para que as pessoas focassem no que é importante e, por mais paradoxal que pareça, o mais importante é o que é simplesmente… simples.
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Este conhecimento que vem pela renovação da mente, sob meu entendimento, é um dom de Deus. Não escrevi palavras sobre quem eu sou. Apenas escrevi palavras sobre o que penso. Quero ser muito melhor do que sou, ainda falho demais, queria agir conforme tudo que sei e isso, sim, me condena muitas vezes, pois sempre tenho a sensação de que posso fazer mais e melhor para o Reino. Sei que é difícil vencer a mim mesmo, como disse o Stênio. Entretanto, pensar de forma diferente do que apresentei nestas palavras simplesmente não consigo.
O título do post possui um “ismo” – o adventistmo – apenas porque ele envolve algumas questões pessoais. Mas a verdade é que não me encaixo e não me encontro presente dentro de nenhum “ismo” cristão-evangélico-protestante porque a mentalidade cristã que possuo hoje e, principalmente, a visão que tenho do significado do Evangelho, não combina com os padrões e tradições que vi durante muitos anos dentro das igrejas. Existem pessoas que crescem, vivem e morrem dentro desta estrutura e se sentem bem com isso. Ótimo! Não vejo problema algum. Contanto que você busque amar, estou feliz com isso.
Meu intuito com este texto não é magoar ninguém ou querer provocar qualquer pessoa que pense de forma diferente. Sei que qualquer adventista de carteirinha possuiria dezenas ou centenas de passagens para retrucar tudo que escrevi mas, simplesmente, não é meu desejo passar por isso, muito menos levantar adventistas para me “convencerem da verdade”, pois já conheço A Verdade, que é uma pessoa chamada Jesus Cristo e ponto final. Como já disse antes, nos treze anos de escola adventista aprendi toda a doutrina da igreja e também li bastante os livros da denominação. Decidi, em sã consciência, que não é o que acredito e não quero pra mim. Afinal, somos livres para viver da forma como desejarmos e crer no que quisermos. Lembra-se que mencionei Romanos 14:22? É isso…
Depois te falar tanto sobre meu modo de pensar, gostaria de deixar apenas uma mensagem àquele que pensa que possui a verdade, que faz parte de um povo exclusivo, que guarda a lei mosaica, que acha que aqueles que tenham conhecimento da Lei e desobedientemente a rejeitam estão caminhando rumo à perdição e que, enfim, acha muitas outras coisas (se você pensa assim, você sabe quais são estas outras coisas): guarde os mandamentos que quiser, mas não se esqueça do amor. Abrace ao invés de afastar. Ajude ao invés de julgar. Enxergue ao invés de olhar.
Só quero continuar a cultivar boas e sinceras amizades, não importando crenças ou descrenças que a pessoa possua. Se você me esperava ficar falando sobre teologia e explicações que consideram a versão xis ou a tradução ipsilon da Bíblia, enganou-se. Apesar de escrever bastante tentei ser o mais simples possível.
É graça, é simples, é amor? Tô dentro.
PS: publiquei este texto no dia 31 de dezembro como simbólico ato de meu desejo desta tornar-se a última vez em que precise tocar neste assunto.

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dezembro
A Tok&Stok e seu infindável descaso com o consumidor
Por que será que uma empresa de renome como a Tok & Stok simplesmente se recusa a agir da forma correta com um consumidor? Eis a resposta que tenho procurado nas últimas semanas. Nada como escrever para desabafar, analisar o fato e, principalmente, alertar outros prováveis compradores para que não venham a passar pela mesma experiência pela qual passei.
Logo nos primeiros meses após meu casamento fui com minha esposa à loja da Tok & Stok na Avenida Ibirapuera, em São Paulo, para procurar um armário para nossa cozinha. Encontramos uma bela cozinha modular exposta na loja e nos apaixonamos de cara por ela. Branca, com as portas de vidro. Linda. Como nossa cozinha era menor do que a apresentada na loja, iríamos comprar apenas alguns módulos. Começamos a nos aventurar com a calculadora e as centenas de etiquetas presentes em cada pedaço de madeira (quem já foi à Tok & Stok sabe como é) para advinhar qual seria o preço do que desejávamos. Após perceber que mesmo as poucas peças que desejávamos ficariam com um preço salgado, decidimos por comprar apenas um módulo naquele momento. Um armário suspenso que utilizaríamos para colocar pratos, copos e outros presentes recebidos de amigos e padrinhos. Apesar de doer o bolso (apenas aquele módulo suspenso, com duas portas, tinha o preço de cerca de 60% de algumas cozinhas completas, sem hiperbolizar) decidimos pela compra. Após terminarmos de pagar iríamos ao próximo. O brasileiro e esta mania de parcelar as coisas…
Alguns meses se passaram, a aguardada última parcela chega, é paga e.. voilà! Já podemos comprar o próximo módulo. Afinal, precisamos de mais espaço na cozinha para guardar as outras coisas, principalmente aquelas que ainda estão nas caixas recebidas na época do casamento.
Em um belo domingo ensolarado voltamos à loja para procurar a próxima compra. Decidimos que, depois do armário suspenso, era a vez de um armário. Será que eles ainda produzem os móveis com este design? Foi um risco que corremos caso aquela cozinha saísse de produção. Felizmente não foi difícil encontrar. Deve ter boa saída. Vimos o armário, analisamos o espaço interno e, após alguns momentos, um vendedor aproximou-se perguntando se tínhamos alguma dúvida:
- Boa tarde, possso ajudar?
- Sim, nós compramos há algum tempo um dos módulos suspensos, com duas portas, e agora queríamos ver este armário. O preço é a soma destas etiquetas?
- Isso mesmo. Considerem o valor “com instalação” pois a equipe da Tok & Stok vai à sua residência e instala o móvel.
- Perfeito. Ah.. Ele acompanha estes pés?
- Sim, você pode instalá-lo na parede ou, se preferir, pode deixar com os pés.
Neste momento olho para a esposa e em uma rápida troca de palavras decidimos por utilizar os pés, sem pregá-lo na parede, afinal, o apartamento em que morávamos era alugado e não pretendíamos ficar muito tempo lá. Também não gostaríamos de ficar furando a parede e, principalmente, o móvel. E um outro motivo inusitado. Quando solteira, minha esposa quase perdeu sua linda cachorrinha, a Basset Hound Meggy, pois ela dormia sob um armário como esses (obviamente não com o selo de qualidade Tok & Stok) preso à parede. O que definiu sua salvação foi que, no momento em que o móvel caiu, ela não estava embaixo dele.
- Perfeito. Vamos levar este módulo.
Alguns momentos preenchendo formulários, fornecendo número do cartão de crédito e – ao som de uma caixa registradora (risos) – mais seis parcelinhas em prol da felicidade marital (mais risos). Mulheres adoram uma cozinha linda. Obviamente que eu também tinha gostado muito dela.
A primeira desagradável surpresa veio no primeiro dia após a instalação do módulo. Um de seus pés simplesmente quebrou: ao tentar abrir o armário para guardar uns copos, ele apresenta sinais de labirintite, sem conseguir se equilibrar. Ligamos para a Tok & Stok, que marcou uma data para análise técnica. Após a tal da análise, marca-se outro dia para o conserto. Nesse ínterim entre a visita técnica e a marcação do conserto recebemos uma interessante oportunidade para nos mudarmos para uma casa. O Charlie (nosso lindo West Highland White Terrier) já estava com três meses, crescendo rápido, e seria ótimo para nós e para ele ter o espaço de uma casa para poder se divertir.
Com a mudança de planos ligo para a Tok & Stok, informo a situação e peço que façam o conserto na nova residência. Ponderei a situação e achei coerente consertar o pé do armário na nova casa, afinal, ele seria transportado dentro de poucos dias. Disse à Tok & Stok que ligaria assim que tivesse mudado. Com as dores de cabeça inerentes à mudança passadas, ligo para a loja e marco a data para o conserto. Uma equipe foi à minha casa, consertou o pé quebrado e, pronto, tudo resolvido.
Agora, assim como fazem filmes e novelas, utilizarei uma expressão para situar o leitor: “Seis meses depois…”
Em uma calma noite em São Paulo, voltando para casa após uma hora do sagrado treino semanal de Krav Magá, recebo uma ligação de minha esposa. Sua voz indicava algo não muito bom:
- Amor, o armário caiu! Quebrou tudo!
- Que armário?! O do quarto?
- Não, não é o guarda-roupas! É o armário da cozinha, da Tok & Stok!
- Mas como?
(E eu nessa hora pensava que fazia meros dois dias que havia pago a última parcela dele)
- Estava na sala vendo tevê quando levei o maior susto da minha vida. Ele tombou pra frente e tudo que estava dentro quebrou!
- Fique calma. Daqui a pouco estarei aí.
Após registrar o incidente em fotos, acessei o web site da Tok & Stok e li a primeira boa notícia: havia cobertura da garantia. Acalmei minha esposa e, no dia seguinte, liguei para a loja. Assim como o atendimento à época do pé quebrado, a Tok & Stok foi muito pronta em agendar uma data para análise técnica. Manhã chuvosa, acordo atrasado para ir ao trabalho e resolvo aguardar a equipe para presenciar a tal da análise. Os dois rapazes olham, veem o “estrago” feito e me perguntam:
- Não estava presa na parede?
- Não.
- Mas este móvel precisa ser fixo na parede.
- Quando o comprei o vendedor me disse que era opcional, ou seja, eu poderia tanto utilizar os quatro pés ou prendê-lo na parede.
- … (troca de olhares entre os técnicos)
Nesta hora já imaginei que o pior viria. Intuição? Talvez. Tentei dizer que ainda havia uma caixa grande de papelão cheia de cacos das louças quebradas mas disseram que isso não era com eles. Ofereci um guaraná ou copo de água para os dois. Não aceitaram. Agradeci, me disseram que receberia uma ligação com o parecer da Tok & Stok e… tenha um bom dia.
Passam-se vários dias e não recebo ligação da Tok & Stok. Mais outros dias se passam e finalmente chega a ligação.
“Senhor, gostaria de informar que a Tok & Stok não cobrirá os danos causados ao móvel porque o móvel não foi instalado de forma correta”.
Não é possível… Será que os caras não entenderam nada do que eu disse? Pelo telefone dei um copiar e colar no diálogo que tive com os técnicos e solicitei uma reanálise. Já nervoso com a situação disse que esperava uma posição mais correta de uma loja com a reputação da Tok & Stok. Disse que desejava resolver esta situação de forma simples e rápida e que, se fosse necessário, buscaria os meios legais e burocráticos para ser ressarcido do prejuízo que não havia sido causado por mim.
Creio que está bem claro que se estou escrevendo este minucioso post sobre a questão é porque o final – até o momento – não é feliz. Não mesmo. Após a reanálise, foi a vez deles de dar o copiar e colar na ligação anterior. É, só rindo pra não chorar. Um funcionário que a) não sabia uma informação crucial para o bom funcionamento do produto ou b) esqueceu-se de informar o consumidor de um “mero” detalhe. Veredicto: o consumidor é o culpado. E olha que eu ainda insisti mas foi em vão. Afinal, ela era apenas a informante de uma decisão já tormada pela última instância da loja.
Prezada Tok & Stok, você diz que eu sabia desta informação e simplesmente ‘não quis instalar o armário na parede. Se esta era uma informação tão importante, vital para que o produto durasse mais de seis meses, você acha que eu, que não sou rico, iria arriscar jogar no lixo mil e seiscentos reais pagos em seis longas e demoradas vezes? Outra coisa, se esta informação fosse tão óbvia, eu deveria acreditar que toda mesa e cadeira produzidas pela Tok & Stok também deveriam ser presas à parede, certo? Afinal, elas também tem quatro pés. Os pés do armário são somente decorativos ou meros coadjuvantes, para os outros móveis da cozinha não o chamarem de aleijadinho?
De minha parte, primeiramente alguns tweets para alertar a comunidade web. Em seguida decidi entrar em contato com um advogado para receber orientação quanto aos próximos passos. E, agora, enquanto faço a juntada de documentos, notas fiscais, fotos etc, decidi escrever um post com os objetivos mencionados no primeiro parágrafo.
Já me sinto mais leve. Espero que o juizado de pequenas causas faça sua parte. Independentemente do resultado, algumas decisões foram tomadas e fatos consumados:
- A Tok & Stok perdeu um cliente. Apesar de produzir o trabalho de excelentes designers brasileiros de produto, imagino que a loja utilize produtos de baixa qualidade ou simplesmente não prepara seus vendedores corretamente. Bastava fazer o correto e eles teriam um cliente que passou por maus momentos com a quebra de um móvel e outras dezenas que estavam dentro dele mas, ao final, agradeceu à loja por reconhecer uma falha no produto ou em seu atendimento. O que eles têm agora é alguém que fará questão de não recomendar seus produtos.
- Pela importância da loja e seus públicos-alvo (A e B), imagino que eles não sentirão saudades de mim e muito menos me enviarão um cartão de natal. Mas suas campanhas via e-mail não páram de chegar à minha caixa de entrada. De qualquer forma, espero que algumas pessoas encontrem este post ao digitar “Tok & Stok” no Google. Aliás, hoje fiz isso e na primeira página de resultados já vi que não estou sozinho: O mau atendimento da Tok & Stok, Rafael reclama da Loja TOK STOK, TOK&STOK: quero minha mesa consertada!!!!, Garantia não cumprida e muitos outros textos pela Internet. Este último teve um fim bem típico da loja. A garantia é fictícia. Eles sempre arranjam um jeito de culpar a vítima. Veja só o que o comentário final do consumidor: “Mais uma vez a empresa demonstrou não ter a menor consideração com o cliente, pois disse que havia reaberto a solicitação enquanto que, na verdade, ela colocou o número de protocolo já anteriormente encerrado sem dar nenhum retorno ao cliente. Pensem 10x antes de comprar lá, já que a garantia da loja não é cumprida se não forem tomadas medidas legais junto aos órgãos de fiscalização dos direitos do consumidor“.
- Se ao menos um pensar duas vezes antes de comprar lá já valeu a pena (Pela mensagem do cliente acima, acho melhor pensar no mínimo dez mesmo!).
- Aprendi que devo procurar mais pelo BBB (Bom, bonito e barato). E não o bonito, ruim e caríssimo. Enquanto eu escrevia este texto lembrei-me de um caso interessante. Um marceneiro foi à minha casa alguns meses antes do incidente arrumar a porta do armário do banheiro. Quando passou pela cozinha perguntou onde e quanto eu havia pago pelo armário. Ao dizer o valor ele sorriu negativamente e me disse que faria um igual pela metade do preço. Ao ver o portfolio do marceneiro, um cara humilde e conhecido pela vizinhança, me arrependi de não tê-lo conhecido antes. “E olha que faço com madeira boa, não isso!” Disse enquanto dava umas batidinhas na parte interna do armário.
E, para finalizar, minha sugestão à loja. Por que não entrar no ramo funerário? Os públicos A e B são exigentes e creio que a qualidade do material vendido pela empresa adequar-se-ia muito bem às demandas por palitós de madeira e saunas for (dead) men com aquele design inigualável, com a cara clean que só a Tok&Stok tem. Seriam os típicos sepulcros caiados. Lindos por fora mas, por dentro… pois é. A vovó sempre vem com as palavras de sabedoria: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”.
outubro
Minha terra tinha palmeiras onde cantava o Sabiá
Manchetes deste início de semana noticiam a guerra entre traficantes e polícia no Rio de Janeiro. Quando a notícia é chamativa e envolve fatos inéditos ou quentes (neste caso o abatimento de um helicóptero da polícia e consequente morte de três policiais) o assunto toma proporções globais. Ainda mais quando o acontecimento se dá apenas alguns dias após a eleição da cidade maravilhosa como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Bandidos comemoram uma vitória cinematográfica ao mesmo tempo em que já temem os próximos passos da polícia, que usa palavras politicamente corretas para jurar vingança. A população, por seu lado, se encasula quando pode e tenta (sobre)viver no meio desta infindável guerra.
Não sou jornalista investigativo e muito menos um analista de estatísticas de ações efetuadas pelos governos federal, estadual e municipal nos últimos anos em prol da população carioca. Apenas a sensação que tenho é a de que nada muda e o assunto continua a ser tratado como de costume pelas autoridades, ou seja, enquanto a mídia abre grande espaço para o problema, elas mantêm o velho papo de “limparemos a sujeira“, ou “isso não se muda da noite para o dia” e ditam estatísticas de progressos (?!) no combate à violência. E basta o dólar se desvalorizar mais um pouco ou daqui a dois dias ser o último capítulo da novela das oito que aquela tão grande preocupação se esvai. Basta pressionar a descarga da memória pública.
O que sei é que sou um cidadão brasileiro, filho de carioca, quem passou praticamente todas as férias escolares de sua primeira década de vida nesta cidade hoje na mira das manchetes. Férias repletas de boas lembranças, não importa onde eu estivesse. Meados da década de 80, uma parte de minha família tinha uma linda mansão em uma tranquila rua de Jacarepaguá. Uma invejável alameda cercada por verdes morros, típico cenário do Salmo 23:2.
Assim como nas novelas de Manoel Carlos, minha família tinha seus núcleos. O núcleo “ZN” se distribuía entre uma adorável tia e sua família, quase vizinhos da família do Ronaldo Fenômeno em Bento Ribeiro, e meus avós e muitos tios espalhados em suas humildes casas nas ruas e morros da zona norte carioca.
Gostava muito de estar em Jacarepaguá, afinal, lá tinha piscina e uma quadra dentro de casa para me divertir com meus queridos primos mas sempre preferi estar junto de minha mãe visitando os parentes da zona norte. Assim, pegava o ônibus com ela e iniciava o delicioso passeio que passava por lugares com nomes legais e engraçados: Bento Ribeiro, Campo Grande, Meier, Pavuna, Rocha Miranda, Coelho Neto, Cascadura etc. Adorava ver meu tio Alcides cutucando a árvore para pegar jaca para comermos. Adorava subir nas lajes com meus primos para soltar pipa e depois descer e comer um apetitoso almoço na casa do tio Jorge. Jogar bola no asfalto com o chão pelando, sendo chamado de Paulistinha por vizinhos de meus primos. A casa de meu avô, no alto do morro Jorge Turco, era maravilhosa. Lá ficava a “Vendinha do Vico”, onde ele passava o dia inteiro tratando bem seus fiéis clientes, cuidando das dezenas de passarinhos que ele criava e me ensinando a separar o troco. Passava horas brincando com os gatinhos de minha avó e sempre que eu voltava para lá tinha um bichinho novo. Um cachorrinho quase morto que ela havia resgatado, uma gatinha prenha que não tinha onde achar repouso. As galinhas gordas que ele criava e sumiam quando eu voltava pra lá. Só depois de muito tempo descobri que elas tinham sido aquele almoço delicioso. Aliás, o mesmo aconteceu com aquele leitãozinho bonitinho que ficava por lá. Eu adorava tudo isso. Tios trabalhadores, todos! Apesar de, sim, já haver muitas histórias de criminalidade na região, o casal Álvaro e Alice criou muito bem todos os seus filhos e formou homens e mulheres de caráter. Que orgulho tenho disso!
Foram muitas férias assim, vividas intensamente por um menino que soube enxergar felicidade no meio da riqueza e no meio da pobreza. Gente digna. Gente boa de Deus que era feliz e celebrava a vida diariamente.
Mas o tempo passou e, no início da década de 90, em mais uma viagem de fim de ano com meus pais e irmão para visitar os avós, uma imagem diferente. Ao ver um menino poucos anos mais velho que eu, tive um diálogo com meu pai mais ou menos assim:
- Pai, ele está com uma arma de verdade?
- Filho, fique quietinho aí no banco. Sente-se direito.
- Mas é de verdade mesmo?
- Sim, filho. Agora fique quietinho.
Percebi em meu pai um semblante diferente, pesado. Em poucos instantes meu avô saiu, nos ajudou com as malas no carro e nos “protegeu” para entrar em sua casa. Em minha ingenuidade não poderia imaginar o que se passara na cabeça de meu pai. Com seus dois filhos ali, um carro novo com placa de São Paulo, bandidos a alguns metros do carro… Este episódio se passou há mais de quinze anos e foi a última vez em que a família viajou junta para visitar meus queridos avós. Onde estará hoje aquele menino com a metralhadora e várias caixas de fogos de artifícios próximas a ele? Se eu considerar as estatísticas as previsões são fatais, assim como fatal foi o câncer que matou meu querido avô.
Durante almoço com colegas de trabalho nesta semana assistimos na televisão às cenas do helicóptero da polícia caindo em chamas. Ao invés de apenas comentar o fato ocorrido e a realidade da insegurança pública no Rio de Janeiro indaguei à mesa: “qual a solução para isso?”
As autoridades atuais insistem em culpar governos anteriores e louvar as conquistas de sua gestão. Eu só vejo a mesma coisa que via desde a década de 80, quando era apenas um garoto. A diferença é que a vida nos morros fica sempre um pouco pior. Vejo que o vizinho de meu primo que me chamava de Paulistinha morreu novo, fuzilado por traficantes. Aliás, ele tornou-se um deles. Vejo falta de oportunidades, vejo decisões erradas em todos os lados, vejo vítimas se transformando em algozes e vice-versa. Vejo que se buscar no Google pelo nome do morro morada de meus avós só encontrarei notícias ruins. A polícia teme subir, a população local teme descer e os traficantes descem e sobem livremente. Nenhuma mudança a curto nem a longo prazo.
É difícil, muito difícil, para a população entender o que se passa na vida das pessoas que vivem no meio desta guerra civil. Um conflito entre suas raízes e as possibilidades externas, a falta de oportunidades, o descaso, o medo de sair de casa. As decisões erradas. As perdas e as consequências. Fugir ou ficar? São tantas cartas descartadas. Infelizmente não tenho respostas. Pedro Paulo Soares Pereira, o Mano Brown, apresentou um lado da história em “A fórmula mágica da paz“. Fez-me refletir mas, assim como ele, ainda não encontrei esta fórmula mágica.
As verdes palmeiras deram lugar a gris barracos. O som do sabiá deu lugar à sequidão de tiros cujo destino é a dor. A canção do exílio é entoada no imperfeito por pessoas exiladas dentro de seu próprio lar.
Só sei que faz quinze anos não posso visitar minha avó.
setembro
Como saber se você é um crente-religioso
Hoje estava pensando nas características inerentes à atitude cristã-evangélica-religiosa atual. Entretanto, refiro-me às atitudes comuns, de gente sincera que, sem perceber, está agindo por costume e tradição, e não aos mercadores, safados e gananciosos da fé que fazem do santuário uma feira livre. Estes do segundo grupo já são quantativamente e qualitativamente “dissecados” em outros blogs como o Blog do Roberto Soares, Caminhando na Graça, de graça!, Genizah, Púlpito Cristão e outros.
Aí penso um pouco aqui, mais um pouquinho acolá e sem demora já tenho uma lista de coisas banais que, sem perceber, são parte do cotidiano de muita gente. Eu mesmo já tive de sair na mão com muitos destes itens. E, também, talvez tenha de embater alguns outros no caminho da vida.
Obviamente esta enumeração apresenta somente a minha opinião sobre este perfil. Objetivo rotular alguma pessoa específica? Pas du tout! Apenas segue como uma reflexão e admoestação sob meus olhar quanto à atitude cristã. Gosto sempre de me lembrar que o religioso é aquele ser repugnante, convencido e presunçoso que sempre pensa ter a verdade e seu lado, que passa e finge que não vê o ferido e é aquele que, se puder, dá uma aula de religião pra Jesus. Então, se eu me dedicar o máximo que puder para não me assemelhar em nada e este tipo, melhor.
Vamos então às quinze características do crente-religioso.
- Você fica irritado quando alguém, na igreja, termina a oração sem falar “Em nome de Jesus” e acha que, devido a isso, as palavras não “passaram do teto”.
- Você não poupa forças para discutir e provar que a forma de batismo correta é a X e não a Y.
- Ser frequentador de uma igreja faz de você, automaticamente, luz do mundo.
- Você dá mais valor ao “está escrito” do que ao “está dito” e “está consumado”.
- Você chama de irmão qualquer pessoa que passar na sua frente por mais que nunca o tenha visto e nunca mais o verá. Ah, e se daqui a alguns poucos minutos você se esbarrar com ele novamente, vai chamá-lo novamente de irmão e não terá se lembrado que era o mesmo com quem falou ali atrás.
- Você fica feliz da vida, sente um prazer enorme e vem um fôlego inacabável quando alguém fala mal da sua religião. Afinal, se estou sendo perseguido é porque estou no caminho certo…
- …com este fôlego citado acima você tem forças para defender, com unhas e dentes, todas as doutrinas da sua igreja.
- Deus veste a camisa da sua igreja.
- Você fica burro. Explico. Você não sabe o porquê de muitas coisas que crê e pratica. É assim porque é assim. O pastor falou, o “profeta” disse, li num livro, meu pai me disse etc. Ai de quem começar a fazer pergunta.
- Se você for dos mais espertos, que não se encaixa no item anterior, adora um papo-cabeça para defender sua bandeira: “Vou destruir as ideias desse cara”.
- Você considera a Bíblia como um manual infalível em que tudo deve se encaixar ipsis literis na sua vida, ou seja, você não sabe como, mas dá um jeito (ou pensa que dá) de conciliar “olho por olho” com a “outra face”, lei e graça e, pra atingir a redenção, enlouquece na tentativa de andar na linha para não perder a salvação. Você vira um exímil malabarista da vida.
- Se alguém falar pra você que a Bíblia não é a Palavra de Deus e que sim Jesus Cristo é a Palavra de Deus… é herege.
- Você tem vergonha de falar de Jesus para as pessoas. Mas, se calhar de cair no seu colo a situação de alguém que tem sede dEle, você fala pra ela visitar a sua igreja, dá um panfletinho e, se não esquecer, manda um “vá com Je..Deus” quando se despedir. Afinal, “Deus” é mais genérico que Jesus e mais fácil de falar.
- Quando alguém pede oração por “algum irmão que está passando por um problema” você tenta resistir mas é mais forte que você a vontade de saber todos os detalhes dos problemas do “irmão”.
- Frequentemente você se esquece de orar e se predispor a ajudar alguém que tenha feito alguma m#rda no caminhar da vida mas raramente se esquece de julgar o autor do bolo fecal.
Se você não tiver nenhuma das características apresentadas acima, que bom! Você passou no teste da não-religiosidade. Se tiver, não se preocupe tanto. Você não é o único. E também não está condenado por causa disso (risos). Muita gente boa passa e passou por isso.
Desculpe-me pelo conteúdo do último item mas é um dos que mais me irrita. Afinal, como diria o filósofo, quem não caga?

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- Pensamentos

- Tags:graça, religião —
agosto
Fazer o bem por amor. Estou no céu.
Recomendo a música Amor incondicional, do Jorge Camargo, durante a leitura deste post.
Well, well… Esses últimos sete dias foram um turbilhão físico e mental para mim e minha esposa. Passamos por um corredor polonês de sentimentos e sensações. Dó, pena, amor, raiva, muita raiva, cansaço e, agora começa a vir a saudade. Confesso que os principais destes, que estavam sempre brigando pela primeira colocação, eram raiva e amor. Mas, para resumir, enquanto começo a escrever este post, só penso em seu título. Realmente estive no céu durante esses dias. E foi bom pra cachorro. Para começar, digo: amor incondicional é coisa pra macho.
Domingo, dia dos pais, acordo e me arrumo para buscar o velho para tomarmos um café da manhã em Monte Sião. Saio de casa e, na primeira esquina vejo cinco filhotinhos de vira-lata sob uma caçamba de lixo desesperados com a situação. Os coitados sentem-se protegidos pela caçamba ao mesmo tempo que têm pavor ao ouvi-la tremer com a passagem dos carros e caminhões que descem a rua rapidamente.
Meu Deus! Como alguém tem coragem de abandonar bichinhos dessa forma?! Como já no Pavablog: faltam-me palavras, sobram-me palavrões… Corro para buscar o velho enquanto ligo para a esposa e peço para ela dar uma olhada neles. Quando volto encontro a Letícia por perto quase chorando com a cena. Cinco minutos depois eles estavam dentro de minha casa. E o meu velho, aos 70 anos e celebrando mais um Dia dos pais, ganhou de presente um jato de medo de um dos filhotinhos em seu blazer. Não entendeu? Sim, um dos bichinhos fez cocô de medo na roupa de meu pai… Pai é pai, avô é avô.
Voltando ao papo de amor incondicional, naquele momento já me senti assim. Bati o olho neles e já me senti apegado, atrelado e arraigado a todos. Meu coração já se sentia obrigado a fazer tudo que eu pudesse por eles. Um misto da alegria do pai do pródigo com a sede de justiça de Pedro ao cortar a orelha de Malco se apoderou de mim. Mas a raiva não teria muito espaço neste momento. Era hora de atitude.
Com a volúpia com que comiam a ração do Charlie e bebiam água, parecia que fazia muitos dias que não comiam. Meu Deus! Primeiros passos, preparar o quartinho para eles ficarem, ir à Cobasi comprar vermífugo, anti-pulgas e anti-carrapatos… Drontal, Vermivet, Cálcio, limpar a casa, saco extra de ração, limpar o pátio, limpar o pátio e limpar o pátio. Como esses bichinhos cagam! rsrsrs
Resumindo a história, um deles, um protótipo de cachorro, uma fêmea com poucos centímetros que só sabia abraçar a Letícia resolveu nos adotar como pais. A nova filha adotada - Olívia - tinha tanta sede quando chegou que foi batizada por uma aspersão quase imersiva.
O novo desafio era achar um lar para os outros. Família, contatos de amigos, emails em massa, panfletos distribuídos na região, álbum no Flickr, Facebook e muitos tweets e re-tweets. “Onlinemente” não houve retornos mas duas pessoas no trabalho da Letícia ficaram sensibilizadas com a história e cada uma levou um para casa. Que alegria!
O estafante trabalho que nos foi exigido começara a dar seus frutos. Era a sensação do comprido dever cumprido!
Agora, duas semanas se passaram e continuamos a cuidar dos dois filhotes que ainda estão conosco. Será ainda mais difícil o adeus.
Para mim, uma experiência extremamente cansativa porém instantaneamente gratificante. É quando chego ao “fazer o bem por amor”. Será que estou sendo redundante? É possível fazê-lo sem amar? Só sei que valeu a pena e estou saindo muito renovado desta experiência. Vi que existe dentro de cada ser humano muita força guardada para fazer o bem por graça, com graça, simplesmente de graça.
“De graça recebestes, de graça dai”
Também senti que ainda tenho muitos defeitos. Está difícil pensar mansamente a respeito das pessoas que abandonaram os filhotes. Essa de não impor condições para o amor é a new level. Um dia chego lá. Sério.
Amar incondicionalmente é mesmo coisa pra macho. E Deus é o macho-mor!
junho
Por onde começar esta reflexão? Vejo-a mais como uma forma de desabafar após ler muitos textos pela Internet escritos por irmãos em Cristo. Impressionantemente, a morte de Michael Jackson causou um impacto enorme na humanidade e, pelo que li dentre estes textos, o sentimento mais comum foi o de profunda decepção, superando o da própria tristeza. Eu explico o porquê de meu desabafo.
Em 1987 ganhei de meu pai o disco Thriller. Ele já era sucesso absoluto desde o ano de meu nascimento (1982) mas, somente aos cinco anos que conheci o som de MJ. Até hoje, nas rodas em família, sou lembrado de como pulava e dançava imitando o “rei do pop” e insistindo para ouvir mais um pouco do “Maca Jeca”. Os anos se passaram e sempre que ele lançava um novo álbum eu escutava para ver se gostava e, com isso, admirava um pouco mais a qualidade de suas músicas e sua capacidade de entreter e surpreender o mundo com sua voz, suas composições, sua dança e sua… mutação.
Feito o background, voltamos a 2009, nestes primeiros dias após sua morte. No excelente blog de Não abro mão da graça, de Márcia Gizella, li o post Ele precisava de Deus, mas nunca entendeu isso. Apesar de considerar o título muito pertinente e perceber sua sinceridade, uma frase me incomodou: “Lamento por ele não ter morrido em Cristo”. No Inforgospel leio Michael Jackson, não há segunda chance. Novamente, senti a tristeza do escritor mas me incomodou a afirmação – quase que dogmática – de que MJ disperdiçara sua única (!) chance. Respeito demais os sentimentos destas pessoas pois sei que elas choraram sua morte e lamentaram o fato de ele não ter se tornado um “mensageiro oficial” do Evangelho na Terra, mas senti o desejo de escrever que penso de forma completamente diferente das que tenho visto na Internet.
Em minha reflexão sobre o tema vi como o pensamento religioso está arraigado nas mentes das pessoas. Como essas pessoas sabem que MJ não morreu em Cristo? Como alguém pode saber que ele ‘não agarrou’ a salvação ou que ele não tenha aproveitado sua chance? Então, para estas perguntas vem uma enchurrada de versículos e cartilhas do tipo “Como saber se fulano foi para o céu”, “índios vão para o céu?”, “meu avô foi salvo?”… Pois é, crente adora essas perguntas. Sutilmente as obras ganham força e sobrepujam a graça. E olha que, mesmo se eu imaginasse um mundo em que a balança da graça fosse esquecida e só as obras fossem medidas, creio que Michael Jackson estaria muito bem também… Considerando suas muitas ações filantrópicas, seu impacto positivo em milhões de mentes e as letras de muitas de suas músicas que clamavam pelo amor ao planeta e aos humanos, TEQUEL não seria uma palavra dita a ele.
Com a invasão de textos com essa abordagem eu me irritei um pouco e enviei um comentário anônimo para o blog da Márcia. Deveria ter me identificado mas não quis criar atritos e/ou discussões em vão. Enviei somente a pergunta do primeiro comentário: “Como você sabe que ele não morreu em Cristo?”. Ela me enviou duas respostas. Na primeira vi que foi apenas um erro de interpretação meu e que, na verdade, sua lamentação tinha sido pelo fato de não ter visto um MJ vivendo como um testemunho de uma real conversão, algo com que concordo plenamente. Seu segundo comentário veio com uma resposta bíblica em que novamente enxerguei o cunho religioso na leitura da Palavra. Enviei uma nova mensagem para ela mas esta não foi publicada (pode ter ocorrido um problema no envio) e, como não copiei o texto que enviei, perdi.
De qualquer forma, comento aqui neste espaço pessoal sobre o que penso. Primeiramente, o texto enviado (Romanos 10) é excelente e fortalece ainda mais minhas convicções. Aliás, o que mais li nos blogs e sites foi uma desobediência aos versículos 6 e 7 – “Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) ou: quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.)”. Não consigo contar nos dedos o número de pessoas que o colocaram no abismo a partir do momento em que o TMZ anunciou sua morte. Não sou assessor de Deus para informar ao mundo se o ‘John Smith’ foi ou não para o ceú.
Neste décimo capítulo de Romanos existem dez interrogações. Por que as pessoas insistem em saber as respostas quanto coloca-se o nome de Michael Jackson como alvo destas indagações? Como alguém pode saber que ele não creu? Como alguém pode saber que ele não tenha morrido em Cristo? Por que fazer estas perguntas? Você acha que a salvação de uma pessoa está intrinsecamente ligada às suas ações durante a vida terrena, ao último ato realizado antes de morrer ou simplesmente à Graça de Deus (isso mesmo, Graça, de graça, gratuita)? Podemos definir seu destino pelo simples fato de supormos que ele não confessou com a boca? Um mudo na situação dele estaria ferrado então…
Isso é assunto ‘para mais de metro’. E, a partir daí, pode se chegar às muitas já conhecidas vãs discussões como o tipo de batismo correto, santificação de dias e festas e luas e sábados e ad infinitum. O Deus que acredito vai além do que qualquer mente possa pensar. É um Deus de amor, um Deus que convida e abre os braços. Um Deus que condena a falsidade religiosa (Lucas 13:23-28) e abre os braços para pecadores (Mateus 8:11, Lucas 13:29). Um Deus misericordioso que, mesmo tendo escolhido antes do nascimento, no ventre da mãe, pode fazer ouvir Sua voz no início de uma vida, na adolescência ou aos 50 anos, à beira da morte, deitado no chão de uma mansão cujo aluguel custa US$100 mil por mês, enquanto recebe massagens cardíacas. Um Deus que aceita mesmo sabendo que nós o rejeitaríamos sempre.
Hoje tive o privilégio de sentir a gostosa sensação de ler um texto com o qual entrei em perfeita sintonia. Ele foi escrito pelo querido Mario Persona, em seu blog O que respondi. É tão simples de entender e tão gracioso viver com esta simplicidade! Quando será que as pessoas entenderão o sentido real da palavra Graça?
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9)
Eu poderia escrever um extenso texto sobre meu pensamento mas creio que o texto do Mario está completo. Completíssimo.
Decidi que não quero fazer essas perguntas. Existem horas (e não são poucas) em que dizer “não sei” faz tão bem! Então, ao invés de decretar destinos ou até mesmo perguntar, prefiro ter a esperança de que um dia eu tenha o privilégio de encontrar MJ na eternidade. E, quem sabe, pedir pra ele me ensinar o moonwalk (rsrsrs).

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junho
A menina que roubava livros, de Markus Zusak
“Os seres humanos me assombram” – a morte.
Um excelente livro, com uma história comovente na qual a vida da menina Liesel Meminger é contada pela morte. Além do intrigante desenvolvimento da narração dos fatos que envolveram o período de 1939 a 1943 na vida da pequena Liesel, o autor apresenta o significado da 2ª Guerra Mundial para os moradores da pequena cidade de Molching, situada próxima de Munique, a caminho do campo de concentação de Dachau.
A leitura deste livro foi enriquecedora, uma vez que pude relembrar minhas antigas leituras referentes ao Terceiro Reich e suas consequências nefastas para o mundo. Pude repensar o sofrimento dos alemães que não simpatizavam com as palavras e não concordavam com as atitudes ou suportavam a loucura de Adolf Hitler. Pude chorar as lágrimas de perda de mães, pais e filhos.
Mas também pude ver a beleza na luta pela vida. A valorização do simples como o suficiente para a alegria em meio à tristeza. Pude perceber que é possível não ter nada mesmo tendo tudo e que o seu inverso é sublime. Liesel é prova disso.
Quanto aos quotes da história, gostei da inserção da música, das cores e sabores, da admiração de Rudy Steiner por Jesse Owens e de seu deboche com Hitler e dos sonhos de vitória em meio aos pesadelos de Max Vandenburg.
“Pessoalmente, gosto do céu cor de chocolate. Chocolate escuro, bem escuro. As pessoas dizem que ele condiz comigo. Mas procuro gostar de todas as cores que vejo o espectro inteiro. Um bilhão de sabores, mais ou menos, nenhum deles exatamente igual, e um céu para chupar devagarinho. Tira a contundência da tensão. Ajuda-me a relaxar.”
“Quando chegou a Molching, Liesel tinha ao menos uma vaga percepção de estar sendo salva, mas isso não servia de consolo. Se sua mãe a amava, por que deixá-la na porta de outra pessoa? Por quê? Por quê? Por quê? O fato de ela saber a resposta – nem que fosse no nível mais elementar – parecia não vir ao caso. Sua mãe estava sempre doente e nunca havia dinheiro para consertá-la. Liesel sabia. Mas isso não queria dizer que tivesse de aceitar. Por mais que lhe dissessem que a amavam, não havia nenhum reconhecimento de que a prova disso fosse o abandono.”
“Toda noite Liesel tinha pesadelos (…) Possivelmente, a única coisa boa advinda desses pesadelos era que eles traziam ao quarto Hans Hubermann, seu novo papai, para acalmá-la, acarinhá-la.”
“A Olimpíada. Os jogos de Hitler. Jesse Owens acabara de completar o revezamento 4×100 e conquistara sua quarta medalha de ouro. A história de que ele era subumano, por ser negro, e da recusa de Hitler a lhe apertar a mão foi alardeada pelo mundo afora. Até os alemães mais racistas ficaram admirados com os esforços de Owen, e a notícia de sua proeza vazou pelas brechas.”
“Os alemães adoravam queimar coisas. Lojas, sinagogas, Reichstags, casas, objetos pessoais, gente assassinada e, é claro, livros.”
“Era uma menina com uma montanha para escalar.”
“Você poderia dizer que as coisas foram fáceis para Liesel Meminger. E foram mesmo, em comparação com Max Vandenburg. É claro, o irmão praticamente morrera em seus braços. A mãe a havia abandonado. Mas qualquer coisa era melhor do que ser judeu.”
“Em anos vindouros, ele seria um doador de pão, não um ladrão – mais uma prova de como o ser humano é contraditório. Um punhado de bem, um punhado de mal. É só misturar com água.”
“A menina começou a soluçar de um modo tão incontrolável, que o pai morreu de vontade de puxá-la para si e abraçá-la apertado. Não o fez. Em vez disso, agachou-se e a fitou diretamente nos olhos. Soltou suas palavras mais mansas até então: – Verstehst du mich? A menina fez que sim. Chorou e, nessa hora, derrotado, abatido, o pai a abraçou em meio ao ar de tinta e à luz de querosene. – Eu entendo, papai, entendo.”
“[Rudy] teria ficado contente em vê-la beijar seus lábios poeirentos, atingidos pela bomba. É, eu sei. Na escuridão de meu coração tenebroso, eu sei. Ele teria adorado, com certeza. Viu? Até a morte tem coração.”
“Max Vandenburg, o judeu, pôs-se de pé e ficou ereto. Sua voz vacilou. Um convite. – Venha, Führer – disse, e, dessa vez, quando Adolf Hitler partiu para seu adversário judaico, Max se esquivou e o fez mergulhar no canto. Esmurrou-o várias vezes, sempre visando uma coisa só. O bigode.”
“Assim que Rudy desabou num canto e salpicou lama de sua manga na janela, Franz disparou-lhe a pergunta predileta da Juventude Hitlerista. – Em que dia nasceu o nosso Führer, Adolf Hitler? Rudy ergueu os olhos: – Perdão? A pergunta foi repetida e o estupidíssimo Rudy Steiner, que sabia perfeitamente que tinha sido em 20 de abril de 1889, respondeu com a data do nascimento de Cristo. Inclui até Belém, de quebra, como uma informação adicional.”
“- Por favor, Max, não morra! Ele era o segundo boneco de neve a derreter diante de seus olhos, só que esse era diferente. Era um paradoxo. Quando mais frio ficava, mais derretia.”
“No porão, ao escrever sobre sua vida, Liesel jurou que nunca mais tomaria champanhe, pois ele nunca teria um sabor tão gostoso quanto naquela tarde quente de julho.”
“Havia estrelas-de-davi coladas em suas camisas, e a desgraça prendia-se a eles como que por designação. (…) A seu lado, os soldados também passavam, dando ordens para eles se apressarem e pararem de resmungar. Alguns desses soldados eram apenas meninos. Tinham o Führer nos olhos.”
“É lícito dizer que, em todos os anos do império de Hitler, nenhuma pessoa pôde servir ao Führer com tanta lealdade quanto eu. O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A consequência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles têm uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer.”
“Seus cretinos, pensou. Seus cretinos encantadores. Não me façam feliz. Por favor, não me saciem nem me deixem pensar que alguma coisa boa pode sair disso. Olhem para meus machucados. Olhem para este arranhão. Estão vendo o arranhão dentro de mim? Estão vendo ele crescer bem diante dos seus olhos, me corroendo? Não quero ter esperança de mais nada. Não quero rezar para que Max esteja vivo e em segurança. Nem Alex Steiner. Porque o mundo não os merece.”
A menina que roubava livros
Marcus Zusak
Editora Intrínseca
2007
494 páginas
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maio
Para alguns pode ser um assunto mais do que batido pois já deve ter se tornado parte da rotina há muito tempo. Entretanto para outros ainda é algo desconhecido. O significado das letras também não é muito amigável (RSS vem de Really Simple Sindication). Meus amigos não são muito fãs de tecnologia mas vivem navegando pela Internet. Aí vêm as perguntas: “o que é esse tal de Twitter?”, “e essas tais de redes sociais, o que são?”. Então, se a Internet é presença constante na vida de todos, sou eu quem pergunta: por que correr atrás da informação se ela pode vir até você?
A Internet já faz parte da vida das pessoas há uns quinze anos e, em tese, a tal da globalização teve um grande salto com a chegada dela, afinal, a ideia de ter-se uma tribo global em prol da integração mundial nas mais diversas áreas (econômica, social, cultural, política) totalmente conectada durante as 24 horas do dia é fantástica e louvável. Mas o que se via até hoje eram transmissores e receptores de informação em polos distintos. Os agentes de comunicação e os internautas.
Com o advento dos blogs e redes sociais, o internauta passou a ter acesso mais fácil à publicação de conteúdo, afinal, o que antes era exclusivo daqueles que detinham os conhecimentos e recursos necessários (domínios, serviços, HTML, bancos de dados etc) tornou-se algo fácil, a um clique de distância. Publicar seu próprio conteúdo gratuitamente em uma estrutura concisa, independentemente dos assuntos abordados, foi o que a onda de aplicativos web 2.0 trouxe. Redes sociais como o Facebook, MySpace, Orkut e LinkedIn permitiram a reunião de pessoas por afinidades. Serviços de blogging como o Blogger e Wordpress fizeram de anônimos “celebridades virtuais” devido ao alcance de suas postagens. Mas a exigência de textos com uma quantidade mínima de caracteres, com uma estrutura bem definida com leads, entretítulos e parágrafos e com um português bem escrito ainda traçava um limite para a publicação de conteúdo. Foi quando surgiram os serviços de micro-blogging, sendo o Twitter o mais famoso destes, que se tornou febre mundial pois qualquer um pode escrever o que quiser – em português, inglês, francês… ou internetês – dentro do limite de 140 caracteres. Tem gente que até ganha dinheiro com isso.
O título deste post começa com a pergunta referente ao RSS pois o considero um dos itens mais importantes dentro de qualquer aplicativo mencionado acima e, “por increça que parível”, ele não recebe a ênfase devida. Geralmente são aqueles ícones laranjinhas escondidos em algum canto da página ou as palavras “Feeds”, “Atom” ou o próprio “RSS”. Não darei nenhuma definição técnica pois estas podem ser encontradas na Wikipedia, acessível nos hiperlinks presentes no texto. Aliás, falando em Wikipedia, ela também é grande protagonista na (r)evolução da Internet.
O RSS é nada mais que um simples arquivo de texto que possui referências ao conteúdo de um site, um blog, um microblog ou um serviço de Internet, que se atualiza automaticamente. Quero um exemplo, Bottini! Bom, se você for fã do canal de Esportes, Economia ou Tecnologia de algum jornal, você cadastra o RSS destes canais no seu leitor de RSS (já falo sobre os leitores) e, sempre que houver alguma novidade, será informado sem que haja a necessidade de acessar o site e procurar pela novidade. Outro exemplo? Seu amigo possui um blog e você gosta de saber quando ele publica algo novo. Mais um? Um parente decidiu dar a volta ao mundo em 80 dias e periodicamente ele coloca no ar uma galeria de fotos no Flickr com suas aventuras. Quer algo mais multimídia? Cadastre o RSS da CBN e ouça na íntegra os comentários dos colunistas que desejar. Já ouviu falar em podcast? Voici le RSS.
Mas como eu faço para ler esse tal de RSS? Apesar de mencionar alguns serviços deste gigante da Internet, ainda não tinha escrito o seu nome. O melhor ficou para o final. Já testei diversos leitores mas o Google, em minha opinião, apresentou a solução. O seu aplicativo online Google Reader agregou em um serviço tudo o que o RSS oferece. Desde a natural leitura de atualizações até a organização de feeds por pastas e inserção de notas e comentários. Viu que um texto é bom mas está sem tempo para lê-lo agora? Marque-o como não lido. Gostou dele? Coloque uma estrelinha nele e depois acesse seus “Starred items/Itens com estrela”. Gostaria de mostrar a seus amigos um post interessante? Compartilhe-o com contatos e digite um comentário. Você pode deixar uma guia de seu navegador com o Google Reader aberto e ele sempre mostrará o que há de novo. Ah! Existe também a versão desktop dele, baseada no Adobe AIR.
Gostou do assunto deste post? Seguem algumas palavras-chave para você pesquisar um pouco mais: podcast, video podcast, xml, atom feed.

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